"É preciso um país"

Entrei num sonho em que gostava mesmo era de viver num país. Podia ser pequeno, pobre, em vias de desenvolvimento, mas, palavra, era mesmo num país que eu gostava de viver.
Não sou de esquerda nem de direita, não pertenço (nem nunca pertenci) a partido nenhum e só não gosto de "poucachinhos".
Os "poucachinhos" são os que – depois de longos minutos de reflexão sobre o carro de doces – optam pelo bolo obviamente menos fresco e dizem ao empregado meio adormecido: "Dê-me uma fatia desse" – desse de que nunca souberam o nome (referido mas, entretanto, esquecido na avidez da possível escolha de outro) – "... mas dê-me "poucachinho", se faz favor!"
O "poucachismo" alastrou e assume-se, agora, como movimento que traga (alarvemente) todos os "ismos" que são o garante da nossa democracia.
O "poucachismo" compra hotéis que não são "Braganza", faz silogismos partindo da premissa errada, pensa nas taxas moderadoras como imposto sobre a doença (em função dos rendimentos declarados), acha que a soberania pode tremer perante uma barcaça, não se demite por erros pretéritos "porque isso em nada ajudaria" para futuro e – como se conhece a si próprio – elege (através de um "aparelhinho") um pré-fabricado, desmontável a qualquer momento, porque é sempre melhor nivelar por baixo.
O "poucachismo" sabe que não tem condições (nem coragem, nem cabeça) para fazer um "golpe de Estado" – que resultaria num "arranhão de local" – e, portanto, vai apostando num empurrão de "com licença" nos que incomodam (para não se notar que pensa pouco e mal), numa palmadinha de "faz favor" nos iliteratos das "quintas" – que podiam ser "sextas" desde que célebres – ou num "eufemismo" de ano lectivo (para não se notar que não sabe ler nem escrever nas linhas da história) e, naturalmente, num caloroso "benvindo" a qualquer incauto que não desconfie que existe conceito de "honra" (para não se notar que não se sabe o que é Nação).
Dobrámos o Bojador e passámos para além da Trapobana para chegar às do Cabo?
Pois foi, provavelmente… e daí, pensando melhor...
Tudo em ti é perder Senhora quantas vezes
Setembro te levou para as metrópoles excessivas
batem as sílabas do tempo no rolar dos meses
tudo em ti é retorno Senhora das marés vivas
Tenho a certeza que vou despertar deste pesadelo, assim que acabar de partir a cara ao energúmeno que nele repete: "Ó pá, isto não é um país, é um sítio mal frequentado!"
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